"Diferentemente de outros países mais avançados, como os Estados Unidos, por exemplo, o Brasil acabou com sua estatal que regulava o preço dos fertilizantes. Isso fez com que aqui o preço disparasse, enquanto nos Estados Unidos ficasse equlibrado", destacou Cheida.
"O que está em jogo é o preço da comida; o preço do arroz, do feijão, da salada e até da carne, porque o boi se alimenta de vegetais, não passa sem capim, e o fertilizante muitas vezes está ali", disse o deputado.
Segundo Cheida, o ministro da Agricultura, Reinold Stephanes, que é paranaense, já declarou que o País quer uma estatal para os fertilizantes. "Isso é extramemente positivo", disse Cheida, "já que o próprio ministro tem afirmado que o Brasil pode ser autosuficiente neste setor nos próximos 10 anos, o que vai significar a produção aqui de 22 milhões de toneladas de fertilizantes todos os anos, e não precisaremos mais importar, como fazemos hoje".
Preocupação
O deputado Cheida, que também é presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Paraná, manifestou, no entanto, preocupação com o controle da estatal que pode vir a ser criada. Cheida mencionou o poder das multinacionais no relacionamento com algumas cooperativas agropecuárias, setor que certamente será chamado a opinar sobre a questão.
O deputado defende que outros setores também sejam chamados a participar. "Será que nós teremos, não digo no Paraná, mas em outros Estados, a isenção necessária de algumas cooperativas, que trabalham com as leis de mercado?", observou Cheida.
Além do pronunciamento, Cheida também protocolou requerimento a ser enviado ao ministro da Agricultura, solicitando que representantes da produção agropecuária e da área ambiental - especialmente dos Estados onde a agronegócio é significativo - sejam ouvidos antes de qualquer definição - e que componham uma comissão para discutir a possível criação desta estatal.
O deputado lembrou que "os fertilizantes muitas vezes saem do petróleo, são derivados, e outros componentes vem de jazidas minerais, como o fósforo, o potássio e o nitrogênio". Cheida disse que o País importa atualmente 91% do potássio, 75% de nitrogênio e 51% de fósforo.
"O potássio está na cana, na vinhaça; temos petróleo, está aí o pré-sal; temos nitrogênio. Mas estamos lentos", alertou Cheida, em seu pronunciamento na Assembléia Legislativa.